Quando pensamos em visão, olfato, audição, tato e paladar, temos nossas referências humanas, claro. Nós somos humanos.

Mas temos muito a refletir sobre como os cães e gatos percebem o mundo, sabemos que eles não vivem e sentem como nós.

Mas muita gente ainda acredita que sim e esta confusão pode gerar muitos problemas, afinal são muitas as diferenças.

Inicialmente devemos pensar sobre como eles nos percebem, nos consideram, nos enxergam, nos cheiram e nos sentem.

Para nós, eles são animais de estimação que escolhemos para nos fazer companhia, para dividirmos nossas vidas, nosso amor e afeto.

Antigamente era muito comum os animas terem uma vida separada da família, viviam no quintal, do lado de fora da casa para exercer alguma função como a de guarda, por exemplo.

Atualmente é raro convivermos com animais que tem uma função, um trabalho e que recebem abrigo, carinho e alimento como “pagamento”.

Geralmente estes animais exercem estas funções em instituições, como na Polícia, Bombeiros ou trabalham como guias de cego ou ajudantes de pessoas com necessidades especiais.

Para nós que temos animais de companhia em casa, eles fazem parte das nossas famílias!

E nós para eles, o que somos?

Família? Grupo? Matilha? Protetores?

É muito difícil definir, por mais que se estude o comportamento dos cães e gatos.

Mas nós sabemos as diferenças da percepção dos sentidos. E entender as diferenças, já nos ajuda muito:

VISÃO

Os cães e gatos nascem cegos, seus olhos só começam a abrir por volta da segunda semana de vida e eles começam a enxergar o mundo aos poucos.

Eles não são capazes de enxergar todas as cores como nós, mas também não é em preto e branco como muitos acreditam.

Gato: 450561

Cão: 429555

Homem: 400780

Tartaruga : 450620

Passariformes: 370570 Rato: 510 

Visão das cores, pelo cão

Visão das cores, pelo cão

No gráfico acima podemos ver que enquanto nós humanos enxergamos quase toda extensão (do roxo ao preto) os cães só são capazes de distinguir as cores no intervalo entre o azul e o amarelo e os gatos entre o amarelo, o azul e o verde. Na barra de cores, vemos a representação das cores que o cão enxerga.

Mas em compensação, os gatos (por exemplo) possuem uma capacidade muito maior que a nossa para perceber os movimentos. Por isso são capazes de pegar uma borboleta no ar com muita facilidade. Esta diferença se deve ao maior número de bastonetes (células responsáveis pela percepção de movimento) que eles possuem.

Os cães e gatos também enxergam melhor do que nós humanos, no escuro. Não é necessário deixar uma luz ligada para eles durante a noite, por exemplo! Mas eles não são capazes de enxergar no breu total.

A posição dos olhos, mas lateralizados na cabeça, também confere um maior ângulo de visão que o nosso e isto significa que eles possuem uma melhor visão lateral que a nossa.

Outra consideração importante é em relação a perda da visão. Para nós, este é o sentido mais importante. Quando nos deparamos com um animal de estimação que está ficando cego, nos imaginamos no lugar dele e é comum uma sensação de dor e desespero muito grande. Mas não é bem assim. Para eles, mais importante que a visão é o olfato e também a audição.

Nos idosos, a diminuição da visão é gradual e como a capacidade de adaptação dos animais é muito grande eles são capazes de conviver bem com esta dificuldade. Mas nós podemos e devemos ajudar evitando trocar móveis de lugar e marcando alguns locais com um perfume suave.

Para saber mais sobre perda de visão em cães e gatos, clique aqui.

Saiba mais sobre cuidados com cães e gatos idosos, clicando aqui.

OLFATO

Os cães e gatos nascem com a capacidade de encontrar sua mãe para se alimentarem e se aquecerem, através do olfato e de receptores de calor.

Mas eles ainda não conhecem nem reconhecem todos os cheiros.

Os cães possuem o melhor olfato entre as espécies domésticas. Eles possuem 40 vezes mais células receptoras que nós, humanos.

Os odores exercem função de comunicação para os animais. Por isso eles cheiram tanto o chão, fezes, urina e o bumbum de outros animais. Eles são capazes de saber se passou por ali um macho ou fêmea, se estava no cio, se era um animal adulto ou filhote…e até dizer: oi, tudo bem, eu te reconheço!

Esta é a principal razão para não usarmos nenhum tipo de perfume nos nossos animais, atrapalhamos muito a percepção olfativa deles.

Também é fundamental permitir que os animais inspecionem e cheirem o chão e as superfícies que interessarem a eles. Por mais que pareça estranho e até nojento para nossa avaliação humana, para eles é uma forma de “ler” o mundo. Impedir que um animal cheire é como atrapalhar alguém que está tentando ler um jornal…

Deixar uma camisa usada pelo dono para o animal se sentir mais seguro quando ele fica sozinho em casa ou vai passar alguns dias numa hospedagem ou numa internação, pode ajudar muito.

AUDIÇÃO

Os filhotes nascem com os ouvidos fechados e completamente surdos.

Entre o 5º e 8º dia os ouvidos começam a abrir e a capacidade auditiva vai aumentando aos poucos.

Os cães e gatos escutam numa frequência mais extensa que a nossa. Isto significa que não somos capazes de ouvir alguns sons que eles percebem. Às vezes eles reagem a algum estímulo sonoro que nós nem percebemos e devemos tomar cuidado para não achar que eles estão malucos: ” meu animal é doido, late (ou fica olhando) para o nada!”

Pode ser que ele tenha percebido algum sinal que os ouvidos humanos não são capazes de ouvir…

Enquanto os gatos são capazes de ouvir frequências entre 48Hz e 85 000Hz e os cães entre 15Hz e 50 000Hz, nós humanos percebemos frequências entre 20 Hz e 20 000Hz

Os filhotes de gatos emitem ultrasons para atrair a atenção das mães e nós não somos capazes de ouvir!

Os animais que utilizam sons para se orientar no espaço, percebem uma frequênica ainda maior: morcegos ouvem a faixa 1 000Hz – 120 000Hz e os golfinhos, 70 Hz – 240 000Hz.

Alguns animais reagem “cantando” ou uivando a algumas músicas,  sons e até notas musicais específicas.

Evite soltar fogos, estalinhos, usar cornetas ou expor seu animal a estímulos sonoros desagradáveis. Eles possuem  ouvidos muito sensíveis.

Lembre que mesmo ouvindo ele pode não entender o significado do que você está falando. Os animais aprendem um vasto vocabulário, se alguém ensinar e repetir constantemente.

Mas não adianta se lamentar ou reclamar com seu animal num tom doce e esperar que ele compreenda…ele vai achar que está recebendo um elogio.

Também devemos evitar falar e usar comandos de adestramento de forma agressiva.

Se o animal demonstra sinais de medo, o aprendizado pode ser comprometido e atrapalha muito a relação de confiança conosco.

Todo elogio deve ser doce e suave.

Facilita a compreensão dos nossos animais.

TATO

Os gatos possuem uma percepção tátil muito desenvolvida.

Isto explica algumas atitudes e nos ajuda a tratar alguns desvios comportamentais.

Se o seu gato não está usando a bandeja sanitária, pode ser que ele tenha aversão a encostar, sentir e tocar na textura da areia utilizada, experimente trocar a marca ou o tipo.

Evite colocar roupas ou acessórios nos gatos, eles podem “virar estátuas” ou se desesperarem para se livrar do “peso”.

PALADAR

Os cães e gatos possuem um número menor de papilas gustativas (responsáveis pela percepção do sabor) que os humanos.

É claro que eles também tem preferências, mas elas são diferentes das nossas.

Quem nunca viu um animal adorar um cheiro que para nós é extremamente desagradável?

Como o olfato dos cães e gatos é super potente, eles se interessam por cheiros interessantes, mas isto não significa que eles também sentem os sabores com a mesma intensidade.

Os gatos detectam melhor os sabores salgados que os doces e também preferem alimentos aquecidos.

Outra consideração importante são os hábitos alimentares. Antigamente, quando eles precisavam caçar para se alimentar, comiam carne crua, roíam ossos e as vezes restos (muitas vezes estragados).

É interessante apresentar diferentes alimentos (especialmente frutas e legumes) para os cães e gatos desde filhotes para desenvolver o paladar e acostumá-los a sabores variados. Esta medida pode ser muito útil no caso do animal precisar ingerir uma dieta terapêutica diferente. OS gatos devem se habituar a comer alimeto úmido desde a infância! SÃO MUITOS COMUNS OS CASOS DE DOENÇA RENAL EM GATOS IDOSOS E A INGESTA LÍQUIDA É FUNDAMENTAL!

Claro que oferecemos o melhor que podemos para nossos animais, mas não devemos estimular o paladar exigente. Se o animal só recebe ração, a tendência é ele comer bem para satisfazer sua fome. Se a cada dia que ele não quiser comer ração nós oferecermos um alimento diferente, podemos criar um animal muito exigente e ainda predispor problemas digestivos (vômitos e diarreia).

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Zoonoses são doenças transmissíveis dos animais para os homens.

Os exemplos mais comuns são: raiva, leptospirose, esporotricose, leishmaniose, toxoplasmose, criptococose e verminoses (incluindo o bicho geográfico).

Também existem doenças que são transmitidas dos homens para os animais, chamadas de antropozoonoses (como a tuberculose nos cães, por ex.).

Precisamos tomar muito cuidado com informações imprecisas que podem levar algumas pessoas a tomarem medidas drásticas e cruéis, como o abandono de animais.

Antes de pensar em se desfazer do seu animal, leve-o para atendimento veterinário e se informe sobre a doença.

Ainda há quem pense que grávidas não podem ter gatos ou que qualquer animal agressivo está contaminado com o vírus da Raiva.

O fato de existirem doenças comuns aos humanos e aos animais, não é motivo para pânico.

Existem medidas preventivas e terapêuticas.

Converse com seu veterinário ( e com seu médico!)

Para saber mais sobre toxoplasmose e esporotricose, clique aqui.

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De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a leishmaniose é um importante problema de saúde pública mundial.

A leishmaniose (calazar) é uma zoonose causada por um protozoário do gênero Leishmania.

Sua transmissão ocorre através da picada do “mosquito-palha” (flebótomo) infectado. Esse mosquito tem o hábito de picar ao anoitecer e geralmente ocorre em regiões próximas a matas e encostas de morros. A doença pode afetar tanto seres humanos como animais domésticos e silvestres. O cão é considerado o principal reservatório da doença no meio urbano.

Apesar de classificada como doença de caráter rural, a boa adaptação do mosquito transmissor ao meio urbano tem permitido a expansão da doença no Brasil.

A doença apresenta-se em duas formas clínicas principais: a forma cutânea e a forma visceral, sendo esta última mais grave.

Os sintomas podem ser bastantes variáveis. O cão pode apresentar lesões na pele (úlceras e descamação), emagrecimento, problemas oculares e em alguns casos, crescimento exagerado das unhas.

A doença pode evoluir para um quadro mais grave, causando lesões no fígado, baço e rins, podendo levar à morte.

Atualmente é possível  tratar a leishmaniose, mas sem dúvida a prevenção é a melhor opção:

  • Combate ao mosquito transmissor
  • Usar telas milimétricas nas janelas e portas em áreas endêmicas
  • Usar repelentes para minimizar o risco de transmissão (existem opções para os animais) – em seres humanos também
  • Realizar exames sorológicos periódicos em animais de áreas de risco
  • Procurar o posto de saúde mais próximo quando suspeitar da doença em humanos
  • Evitar o desmatamento e a construção de moradias em encostas de matas.

A evolução da doença pode ser muito lenta (até 4 anos para apresentar sintomas), e o cão apesar de parecer saudável pode ser transmissor da doença para seres humanos e outros animais.

O diagnóstico é realizado através de um exame de sangue ou biópsia da lesão.

Animais que vivem em regiões onde já foram detectados casos positivos devem ser testados.

Já existe uma vacina que pode ser aplicada em cães saudáveis e acima de 4 meses de idade. É fundamental realizar um exame de sangue antes da vacinação – somente animais negativos podem ser vacinados.

O esquema de vacinação atual disponível no Brasil consiste em 3 doses com intervalo de 21 dias entre elas. A revacinação é anual.

O uso de produtos repelentes de insetos (pipetas e coleiras) também ajudam na prevenção.

Converse com o veterinário(a) dos seus animais.

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Sempre me fazem esta pergunta.

Todos os filhotes de cães e gatos trocam os dentes, assim como as crianças!

Aproximadamente aos 4 meses, ocorre esta substituição. Em geral, aos 6 meses de idade, os cães e gatos já estão com toda a dentição definitiva.

Os cães de raças pequenas podem levar mais tempo para trocar todos os dentes.

Os dentes definitivos são maiores, mais bonitos e têm as pontas mais arredondadas.

Nem sempre percebemos o dente de leite ficar mole e também não observamos uma “janelinha”, como na crianças.

Isto porque o dente definitivo substitui o dente de leite somente quando este está pronto para cair (a raiz é absorvida).

Na maioria das vezes, nem achamos o dente de leite, ele cai no chão e também pode ser engolido…sem problemas.

Em alguns animais (especialmente nos cães de raças pequenas), o dente de leite pode não cair e ficar firme, ao lado do dente definitivo (foto).

Neste caso, é recomendado levar o animal para atendimento veterinário e decidir se é necessário extrair ou não.

Os filhotes adoram roer! Aliás, os cães adoram morder! É normal!

Muita gente “culpa” a troca de dentes pela adoração dos cães por roer…brinquedos, móveis, sapatos, paredes, tudo!

Mas nem sempre é só esta a motivação. Precisamos oferecer brinquedos adequados para os cães morderem, eles precisam e gostam deste exercício.

O que não deve ser permitido é que os animais “brinquem de morder” nossas mãos, pés e outros objetos.

Os dentes de leite possuem as pontas muito fininhas e afiadas e podem machucar as peles mais sensíveis e rasgar roupas.

Para saber como ensinar seu cão ou gato a não morder suas mãos, pés etc., clique aqui.

Mesmo sabendo que eles vão trocar a dentição de leite pela definitiva, vale a pena iniciar a escovação cedo, para eles se acostumarem.

Saiba como escovar os dentes do seu cão ou gato, clicando aqui.

Se possível, escove os dentes do seu animal, diariamente.

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Muitos animais brincam mordendo, é um comportamento normal.

Enquanto eles são filhotes, nós costumamos tolerar, mas acho que ninguém realmente gosta de ser mordido.

Os dentes de leite (que costumam ser substituídos pelos definitivos por volta dos 4 meses) são muito fininhos e podem rasgar as peles mais sensíveis e roupas.

O problema maior ocorre quando o cão ou o gato não sabe, não entende que nós não gostamos das mordidas e continuam nos mordendo a vida toda.

Como não há agressividade envolvida, tudo começa como brincadeira, muitas pessoas  permitem ser mordidas e este comportamento persiste.

Os cães adoram morder e precisam roer, durante toda a vida. Eles precisam deste exercício, mas nossas mãos e pés não devem ser o alvo das mordidas.

Existem muitos brinquedos adequados e seguros.

Para os cachorros “roedores profissionais”, eu recomendo o texto: http://www.bichosaudavel.com/meu-cachorro-roi-tudo/

Os filhotes de gatos aprendem os princípios básicos da caça e os limites das mordidas com suas mães e irmãos, até o desmame (por volta de 2 meses).

Como muitos filhotes não têm a oportunidade de conviver com a mãe e irmãos, eles não sabem medir a força da mordida e acabam nos machucando.

Como resolver este problema?

A chave é a comunicação.

Precisamos ser muito claros e ter a certeza que o animal entendeu que BRINCAR DE MORDER, NÃO AGRADA!

Se eles soubessem a lista de comportamentos que nos desagrada, tenho certeza de que não haveria problemas, os cães adoram nos agradar!

Mas infelizmente, raramente o que dizemos é compreendido pelos cães e gatos.

O ideal é elogiar o comportamento adequado e ignorar o inadequado.

Exemplo:

Enquanto seu animal estiver brincando com um brinquedo, elogie-o, ofereça um petisco e fale com uma voz doce: – “Muito bem! Assim é legal!”

Assim que ele começar a morder seus pés ou mãos, tire do alcance dele e vire de costas, não cruze nem um olhar com ele. Não fale nada.

Desta maneira vai ficar muito claro que quando ele te morde, você não dá nenhuma atenção para ele. Se necessário (ele insistir), saia do ambiente ou retire-o do ambiente.

Mas lembre-se: em silêncio! Qualquer frase neste momento pode ser confundida com atenção (é tudo que ele quer!).

Não brigue nem dê broncas no seu cão ou gato. Pode até funcionar na hora e diminuir a frequência das mordidas, mas o risco dele ficar com medo de você é enorme.

Isto também vale para os gatos que costumam “caçar tornozelos”. Além de serem ignorados, eles precisam exercitar a caça de outra maneira.

Brinque todo dia com seu gato com brinquedos que simulam a caça, como cordas, fitas, penas ou aquelas varinhas com um brinquedo na ponta. Nunca com suas mãos.

Leia o texto: http://www.bichosaudavel.com/sugestoes-de-brinquedos-para-gatos-entediados-gordos-etc/

Esta orientação de reforçar o comportamento adequado e ignorar o comportamento inadequado, vale para toda a educação dos cães e gatos!

Experimente!

Você vai perceber que vale a pena!

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Vamos conversar sobre cães e gatos!

Toda semana, eu e a jornalista Giuliana Girardi recebemos convidados para dividirem histórias e experiências com seus pets.

Uma produção do Fantástico e do G1, “Bicho na Escuta” também responde as dúvidas e revela curiosidades do universo pet.

Aqui eles são protagonistas!

Os episódios são publicados toda quinta-feira e estão disponíveis no G1, no Globoplay e em todas as plataformas digitais de áudio.

Clique aqui para ouvir

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A maioria dos cães e muitos humanos sensíveis sofrem quando escutam sons altos e fortes como o som dos fogos.

Pode ser em época de jogos de futebol, no Réveillon, nas festas juninas e até mesmo quando tem tempestade com trovões.

Um dos motivos, é o fato da audição dos cães ser mais sensível que a humana.

Eles escutam mais alto e alcançam uma frequência maior que a nossa:

Homem – 20 Hz a 20 Khz

Cão  – 40 Hz a 60 Khz

Gato – 20 Hz a 78 Hz

Isto significa que eles escutam sons inaudíveis para nós.

Para os animais, além de ser um som muito forte e alto, é uma surpresa. Eles não sabem a origem, não sabem que foi alguém que produziu aquele som, para se divertir.

Eles podem até confundir com o som de uma catástrofe natural como um terremoto, um desabamento.

Vocês se lembram dos animais fugindo da Tsunami minutos antes dela acontecer?

Muitas vezes ainda surgem luzes diferentes no céu e até cheiro de pólvora no ambiente. Este cenário é bastante assustador para a maioria dos animais.

Muitos animais que sentem medo de barulhos já vivenciaram uma experiência desagradável e traumática, especialmente se estavam sozinhos durante um Reveillon ou jogo de futebol.

Este é mais um motivo para evitarmos que eles fiquem sozinhos e sintam medo nestas ocasiões.

Os animais que apresentam um medo leve, costumam tremer, seguir a pessoa querida pela casa, ficam ofegantes e procuram se esconder.

Aqueles que apresentam fobia de barulhos altos,  entram realmente em pânico e podem ficar agitados, correndo de um lado para o outro, podendo até fugir de casa e se machucar.

Não esqueço de um cachorro que atendi durante um jogo do Brasil na Copa de 1998 que atravessou uma varanda de vidro e ficou bastante machucado.

Nós podemos e devemos ajudá-los.

O tratamento ideal é a dessensibilização.

Isto significa expor o animal ao som bem baixinho, gradualmente enquanto ele experimenta sensações prazerosas e se sente confortável.

Se o tratamento for bem feito, o cão pode melhorar muito e não mais apresentar os sinais de medo. Mas este tratamento precisa ser realizado com antecedência, precisa ser feito por alguns meses.

Além dos veterinários que trabalham com comportamento, muitos educadores caninos também realizam a dessensibilização, utilizando CDs com sons de fogos, bombas e tiros entre outras opções na internet.

Mas muitos animais também precisam da ajuda de medicações para lidar melhor com o tratamento.

Neste caso somente um(a) veterinário(a) poderá receitar o medicamento.

Se você não tiver como tratá-lo a tempo, podemos ao menos amenizar o sofrimento.

Se o seu animal apresenta sinais de pânico, procura se esconder e até mesmo “atravessar” paredes quando os fogos começam, procure seu veterinário e converse sobre a possibilidade de medicá-lo. É possível usar medicações que diminuem a ansiedade, sem “dopar” o animal.

Não medique seu animal sem orientação veterinária!

Independente do seu cão ou gato sentir pouco medo ou entrar em pânico, vale a pena protegê-lo!

Os cuidados começam durante o dia, horas antes do Reveillon ou do “evento barulhento”.

Divirta-se bastante com seu cão, leve-o para passear ou brinque muito com seu gato, escolha os brinquedos favoritos e bem desafiadores, estimule todos os sentidos deles, enfim dê uma canseira neles!

Também não é interessante alimentá-los demais durante o dia para guardarmos apetite para a noite…

É importante que ele não fique sozinho. Se você vai sair, procure um amigo ou parente ou até mesmo contrate alguém para acompanhá-lo.

Escolha um cômodo da casa, o mais silencioso e protegido e construa um ambiente seguro, o menos estressante possível. O ideal é que todo cachorro tenha um “porto-seguro”, uma toca, um local que ele já gosta e se sente seguro nele.

Ligue um som ambiente, pode ser a TV ou uma música (existem até músicas compostas especialmente para cães e gatos! Clique aqui), feche as janelas, cortinas e ligue o ar condicionado ou ventilador na modalidade mais barulhenta.

Se o seu cão ou gato gosta de uma “toca”, como uma caixa de papelão ou até mesmo a caixa de transporte (saiba mais clicando aqui), ofereça esta opção. Podemos usar uma caminha, tapete, paninho e até mesmo uma roupa nossa usada para criar este “ninho” de segurança.

Vale a pena usar os ferômonios sintéticos disponíveis nas petshops (existem opções em spray e difusores para cães e gatos) para eles sentirem uma maior sensação de segurança neste ambiente – para saber mais, clique aqui.

Leve seu animal para este ambiente o máximo de vezes possível, antes do momento dos fogos (podem ser dias ou horas antes) e ofereça sensações prazerosas para ele, como petiscos, brincadeiras, massagens escovações (com escova macia!), você pode até cantar para ele!

A ideia é este ambiente se tornar um ótimo refúgio!

Quando os fogos começarem a estourar (em alguns lugares começam hooooras antes) leve seu animal para este cômodo (se é que ele já não estará lá!) e ofereça os alimentos preferidos dele.

Eu gosto muito da ideia de alimentar os animais de forma ativa, desafiadora, nós podemos esconder alimentos em brinquedos recheáveis, fazer trilhas com ração e/ou petiscos, usar caixas de papelão entre outras milhões de opções.

O ideal é que seu animal já esteja habituado a esta maneira diferente de comer, assim podemos incrementar ainda mais usando os alimentos favoritos congelados, por exemplo. Vale usar caldinho, frutas, alimentos humanos, úmidos, contanto que você conheça aqueles que seu animal gosta muito e se dá bem, isto é não apresenta problemas digestivos.

Mas se ele não estiver acostumado, tudo bem. Ofereça da mesma maneira.

Deixe-o sozinho neste ambiente o mínimo possível. Se precisar sair, volte sempre para monitorá-lo.

Evite demonstrar medo e desconforto para seu animal. Nossa insegurança só traz mais ansiedade para ele. Se você também se assusta e detesta fogos, disfarce.

Alguns animais ficam completamente “dominados”, congelados pelo medo e chega a ser impossível desviar a atenção deles para outra atividade.

Neste caso, deixe o seu cão no local protegido da casa, perto de você.

Se o seu cachorro já está habituado a usar fones de ouvido (sim, eles existem) e/ou coletes para aliviar a anisedade, fique à vontade! Mas não use nenhuma novidade num momento de aflição, pode piorar o quadro de desconforto dele.

Não brigue com ele, em hipótese nenhuma!

Não faz o menor sentido dar broncas e chamá-lo de medroso ou fracote – não ajuda em nada e só deixa o animal mais aflito.

Essas medidas não vão livrá-lo do medo, mas podem ajudar bastante.

Desejo um 2021 doce, suave e muito saudável a todos!

(Não solte fogos! Os animais agradecem!)

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Participo do programa desde 2014, com opiniões e dicas veterinárias.

O programa é ao vivo, de segundas às sextas-feiras das 10h45 às 12h, na Rede Globo.

Para saber as datas das próximas participações, curta a pagina do Bicho Saudável no Facebook: https://www.facebook.com/bichosaudavel ou siga o Instagram @ritaericson.veterinaria

Assista aqui alguns trechos:

Clique no tema de cada programa

23/09/2014 – Problemas Comportamentais e a relação com os animais

06/10/2014 – Ansiedade de Separação (animais que não conseguem ficar sozinhos)

30/10/2014 – Cães que latem demais!

19/11/2014 – Interações entre animais

24/12/2014 – Crianças e animais e Vira-lata é o máximo!

19/03/2015 – Animais e viagens

18/06/2015- Abandono de animais

20/07/2015- Cães de Raças Gigantes

05/10/2015 – São Francisco de Assis, Cinomose 

05/11/2015 – Adoção

05/11/2015 – Raças pequenas

04/11/2016 – Férias e hospedagem de cães

12/01/2016 – Cães atletas

04/02/2016- Convivência entre animais de espécies diferentes

04/02/2016- Carnaval

23/02/2016-Comunicação felina – a partir do minuto 37

23/03/2016 – Animais de trabalho, cães que asistem cadeirantes

23/03/2016 – Cães atletas – huskies da Laponia

21/04/2016 Roupas, Acessórios e tosa artística e mais

04/05/2016 – Adoção de gatos e continuação deste tema

20/05/2016- Cuidados no Inverno

03/06/2016- Obesidade Canina

08/07/2016 – Cães caçadores

02/09/2016 – Cães distinguem palavras e emoções

07/11/2016 – Ocitocina, o hormônio do amor

03/01/2017 – Cães de presente!

15/03/2017 – Toxoplasmose e Esporotricose

22/05/2017 – Gato preto dá azar? Claro que não!

08/06/2017 – Linguagem corporal dos animais

27/06/2017 – Falar com Animais é sinal de inteligência!

01/09/2017 – Viajar com Cães

11/10/2017 -Maus Tratos

21/12/2017 – Animal de presente? Cuidados emergenciais com animais e Fogos

28/02/2018 – Animais com deficiência e Latidos de Sabedoria e Miados de Sabedoria

12/04/2018 – O poder transformador dos animais nas nossas vidas

16/05/2018 – Carrinhos para cães e perguntas da plateia (Tô querendo saber)

11/07/2018 – Fluff Challenge  Adestramento  Inteligência Animal (blocos 2,3 e 4)

23/08/2019 – A dor da perda de um animal de estimação

Perguntas da Plateia (Tô querendo saber)

31/10/2019 – Brumadinho e A dor da perda de um animal de estimação

25/04/2019 – Abril Laranja – Campanha alerta para maus tratos contra animais

Gabriel e Yellow e Crianças que maltratam animais

29/10/2019 – Mordida de cachorro

18/12/2019 – Maus-tratos e rinha de briga de cães

30/10/2020 – Abandono, Maus-tratos, Preconceito contra os gatos pretos no Halloween e Covid e animais de estimação

08/02/2021 – “Desafio do cão culpado” ou #guiltydogchallenge – programa gravado em casa, por causa da pandemia 🙁

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Esta nova coronavirose está afetando o mundo todo e nos deixando ansiosos, repletos de dúvidas e muitas vezes sem saber o que fazer.

As recomendações de higiene e segurança estão sendo amplamente divulgadas pela mídia e cabe a todos nós seguí-las:

  • lavar as mãos com frequência e da forma adequada
  • evitar levar as mãos aos olhos, boca e nariz
  • ao espirrar e tossir proteja a boca com um lenço descartável ou com seu próprio braço
  • mantenha distância de 1 metro das outras pessoas em caso de tosse ou espirro
  • procure assistência médica se estiver com febre e tosse com dificuldade respiratória
  • respeite as regras da sua cidade, região ou país (elas podem variar de acordo com a situação)

De acordo com as previsões dos órgãos de saúde o número de casos no Brasil só vai aumentar nas próximas semanas e precisamos fazer a nossa parte.

A princípio, não precisamos nos preocupar com nossos cães e gatos, pois não há nenhum indício de contaminação do Covid-19 nestas espécies.

NÓS NÃO TRANSMITIMOS PARA ELES E COMO ELES NÃO DESENVOLVEM A DOENÇA TAMBÉM NÃO TRANSMITEM PARA NÓS!

Os cães apresentam outro tipo de gripe (para saber mais clique aqui) e os gatos também desenvolvem doenças respiratórias ( clique aqui para saber mais), mas nenhuma delas é causada pelo coronavírus, nem são transmitidas para os seres humanos.

Contudo os cães e gatos também podem apresentar doenças causadas por outros tipos de coronavírus, mas além de não serem contagiosas para os seres humanos as suas manifestações não são respiratórias.

A coronavirose nos cães causa uma gastroenterite (o principal sintoma é diarreia) e nos gatos uma doença conhecida como PIF (peritonite infecciosa felina). Estas viroses também não são transmitidas para os seres humanos nem para outras espécies.

A mídia internacional divulgou um caso de um cachorro na China, que apresentou um resultado fraco positivo para o coronavírus, mas ele não apresentou a doença. A hipótese mais provável é que o material coletado no cão estivesse contaminado com o Covid-19 porque sua responsável estava positiva para a virose. Este cão ficou em quarentena por precaução e também para diminuir o risco dele “carregar” material contaminante no seu corpo para outras pessoas.

Por este mesmo motivo não é indicado que cães ou gatos que convivem com pessoas contaminadas pelo Covid-19 entrem em contato com outras pessoas. Desta forma, diminuímos a chance de contágio.

Priorize passear com seu cão em locais sem muitas pessoas e siga as recomendações de higiene já descritas.

Tenho ouvido algumas dúvidas a respeito da vacinação contra coronavirose, aquela que os cães recebem todo ano na vacina múltipla (óctupla ou decupla). Esta vacina é INDICADA SOMENTE PARA CÃES para protegê-los contra o coronavírus que afeta o sistema digestivo do cães.

ELA NÃO DEVE SER APLICADA EM NENHUMA OUTRA ESPÉCIE, NEM HUMANOS NEM GATOS E NÃO PREVINE CONTRA O COVID-19!

Podemos aproveitar este período que estamos mais tempo em casa para nos dedicar mais aos nossos pets, brincando mais com nossos animais, escovando, ensinando comandos e enriquecendo suas vidas com atividades que normalmente não conseguimos encaixar nas nossas rotinas.

Se você tiver dúvidas sobre este e outros assuntos, entre em contato!

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Se o seu animal estiver precisando de assistência veterinária, leve-o numa clínica, mas certifique-se do horário de funcionamento e tente agendar o atendimento para evitar deslocamentos e encontros desnecessários na sala de espera.

São tempos difíceis, mas vai passar!

Se cuidem!

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Latir é normal. O problema é o exagero.

Em primeiro lugar, devemos entender porque o cachorro está latindo exageradamente.

Espera-se que o cão nos avise, dê o sinal de alguém que chega, latindo.

Mas os cães podem latir por diferentes motivos: ansiedade, tédio, solidão, para chamar atenção, para dar algum sinal ou simplesmente porque se sentem bem.

Se o seu cão late somente quando a família está em casa, ele provavelmente é um sinalizador, quer te avisar sobre alguma ameaça (mesmo que somente na interpretação dele). Ou está tentando chamar sua atenção.

Nada como contar com seu fiel escudeiro para se sentir mais seguro, mas ele precisa parar de latir quando já fomos avisados do “perigo” (na maioria das vezes, uma visita). E é possível ensiná-lo.

Como em qualquer treinamento, precisamos ser claros e consistentes. O cão precisa entender o que queremos dele.

Não adiantar gritar “QUIETO” ou “NÃO LATE”. Ficamos todos mais agitados, cansados e não funciona!

Existem várias técnicas de adestramento para ensinar o cão a controlar os latidos.

Experimente ficar ao lado dele. Quando perceber que ele vai latir, mande-o sentar. É claro que ele já precisa saber e obedecer o comando SENTA.

Assim que ele parar de latir, elogie-o e/ou ofereça um petisco.

Quando o cão late para chamar a sua atenção, experimente ignorá-lo COMPLETAMENTE, sempre que ele latir. Você pode até levantar e sair do ambiente. Lembre-se que para o cachorro, uma simples troca de olhares é compreendida como atenção. Nem olhe para ele.

Para não deixá-lo carente de atenção, sempre que ele desistir, parar de latir e estiver quieto, chame-o para brincar, escove-o, enfim, dê atenção.

Quanto melhor for a qualidade de vida do animal, mais equilibrado e feliz ele será e consequentemente, ele latirá menos.

Existem diversos brinquedos que deixam o animal entretido, como aqueles recheáveis. Usamos algum alimento saboroso e o animal fica envolvido em retirá-lo de dentro do brinquedo.

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Estes tratamentos objetivam diminuir o latido em excesso e costumam funcionar muito bem porque retiram todas as recompensas que até então, reforçavam o comportamento indesejado.

Se o seu cão é extremamente agitado, ansioso e não tem nenhum nível de obediência, você pode precisar de ajuda profissional (adestrador e veterinário especialista em comportamento animal).

Vale a pena tratar os cães que latem demais. Não só para reduzir o barulho e não incomodar os vizinhos, mas também para ter um animal mais equilibrado e feliz.

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